Under Chatham House Rule.
Um certo final de semana eu fui a Sorocaba reencontrar um grande amigo. Padre, ex-escotista, ex-escoteiro e atual escudeiro. Conheci lá um seminarista, que o auxíliava com as obrigações paroquiais. Ao retornar à São Paulo deu-se o debate de idéias. De que adianta dar vara e ensinar a pescar? Quem tem fome não aprende, quem tem fome e é subnutrido menos ainda. Quem tem fome não tem força para pescar, plantar ou colher. Quem tem fome é quase um inválido? Quem tem fome não tem valores de caráter, comida é comida e não tem dono. Mas se quem tem fome tem que comer e é um inválido, quem deve dar comida a esta pessoa? Aquelas pessoas sem fome? “Dai, ó Senhor, pão a quem tem fome; e fome de justiça a quem tem pão”? Em termos breves, o assistencialismo é ruim e indesejável – mas é inevitável. Qual outra forma há para reabilitar estes quase inválidos? Além do mais como atacar a causa do problema sem ter tido um contato com ele? Como ensinar as pessoas não passarem fome sem ter visto um esfomeado, o meio que vive e as atitudes que tem? Neste ponto pessoas elevadas tem outra obrigação. As ONGs que se juntem para dar aula. O Fome Zero que compre comida. A nossa Tertúlia deve dar valores. Alimentar os inválidos, reabilitá-los com um conhecimento – e ensiná-los a importância de valores como firmeza de caráter, resistência aos breve subornos da vida atual e honestidade. A energia da comida presenteada não pode ser disperdiçada em lutas por mais comida. A energia da comida presenteada deve ser usada para gerar mais comida, sem prejudicar outrem ou a si mesmo.
(Em 18/09/2006 – 20:30)